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Na quinta-feira passada, quando estava no Ceasinha, enlouqueci quando vi essa Boca-de-Leão bicolor: rosa e branca.

Foi a primeira vez que eu as vi dessa cor e como amamos flores diferentes, logo peguei vários maços.

Foi aí que, ao passar por um box, o dono me parou e começou a conversar: "uau, que Boca de Leão mais linda! ". Eu concordei e ele logo começou a desabafar.

Segundo ele, apesar da beleza daquela variação, plantá-las era algo em vão, pois ninguém quer comprar.

"As floriculturas não entendem. Elas só querem as brancas, amarelas e rosas, as cores convencionais".

Fiquei perplexa e ele me disse que já tentou vender em corte inclusive espécies plantadas, como o ciclamen, mas que ninguém quis saber. 

Como eram 6 da manhã, eu nem perguntei seu nome e nosso papo não se prolongou muito, mas foi o suficiente para me deixar meio revoltada. 

Ao que me parece, o mercado brasileiro de flores se acomodou. É mais garantido ter sempre o mesmo, aquilo que todo mundo conhece, a ousar e procurar o novo.  

As flores tradicionais são lindas, claro. Mas já não está mais do que na hora de variar e descobrir outras espécies e cores? 

O carregador que estava comigo, o Seu Zelão, também desabafou e falou que não aguenta mais a eterna necessidade das rosas vermelhas. 

Segundo ele, nas primeiras horas da madrugada já saem centenas, para não dizer milhares de maços de rosas vermelhas. 

Como essa minha indignação já é antiga, concordei sem pestanejar.

As rosas vermelhas estão tanto em todos os lugares que, para mim, elas perderam o significado de romance e ganharam o sentido da flor de última hora, uma mera desculpa, qualquer nota. 

Mas é claro que, se existe uma compra gigantesca das espécies tradicionais, existe demanda. Então, caros leitores, nós aqui da A Bela do Dia, gostaríamos de te pedir, até mesmo implorar: vamos mudar essa demanda? Vamos explorar as flores diferentes? Vocês podem, por favor, gerar de uma vez a demanda pelo novo?

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